Alvaro Camargo, M.Sc., PMP

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Manual de Projetos de Infraestrutura e Engenharia

Manual de Projetos de Infraestrutura e Engenharia

Manual de Projetos de Infraestrutura e Engenharia

É com grande prazer que anuncio a publicação do livro mais novo no qual eu trabalhei, juntamente com meu amigo e parceiro, Julio Schwartz. Trata-se de um manual completo com cerca de 500 páginas. O texto abrange todos os aspectos relacionados com o desenvolvimento desses tipos de projeto. O foco predominante do livro é a visão das empresas contratadas para construir projetos. A obra foi pensada para uso prático no dia-a-dia dos projetos, evitando a complexidade dos textos acadêmicos, porém com profundidade adequada que o assunto exige.

O livro pode ser encomendado, em formato impresso, nas duas lojas virtuais indicadas nos links abaixo. A versão eletrônica Kindle sairá em breve.

Amazon.com

Create Space Store

É um livro indispensável para engenheiros, arquitetos, administradores, advogados, integrantes de equipes de projetos e líderes empresariais envolvidos em projetos de infraestrutura e de engenharia nos setores público e privado no Brasil.

O livro tem diferenciais importantes:

1) É um livro escrito para a realidade brasileira, de acordo com a nossa legislação, com informações sobre o tamanho do mercado deste tipo de projeto no Brasil e com informações sobre as modalidades de contratos usadas em nosso país, assim como informações sobre os principais contratantes.

2) O O livro foi baseado na experiência prática em projetos de mais de 35 anos de cada um dos autores. Mas o texto também traz referências de inúmeros autores e pesquisadores do assunto, tornando-o apto, também, como fonte de referência para pesquisadores e acadêmicos.

3) O livro também traz uma contextualização histórica de projetos de infraestrutura e engenharia no Brasil, mostrando o primórdio desses projetos.

Se você vier a comprar o livro, não se esqueça de colocar seu comentário na página da Amazon.com. Desejo uma boa leitura a todos os interessados neste tipo de projeto.

Declaração de Trabalho de Aquisição ou Procurement Statement of Work

Declaração de Trabalho de Aquisição ou Procurement Statement of Work

Pasta de Documentos

Alguns alunos sempre me pedem esclarecimentos do conteúdo de uma declaração de trabalho de aquisição ou Procurement Statement of Work em Inglês. Este post trata dessa dúvida.

Este documento é uma descrição narrativa dos produtos serviços ou resultados a serem entregues pelo fornecedor que foi ou será contratado. A declaração de trabalho de cada aquisição é desenvolvida a partir da linha base do escopo do projeto e define somente a parte do projeto do escopo que faz parte daquilo que envolve uma determinada aquisição. A declaração de trabalho de uma aquisição deve descrever um determinado item a ser adquirido com um grau adequado de detalhamento, para permitir que o fornecedor consiga ofertar adequadamente o produto, serviço ou resultado desejado pelo contratante. A declaração de trabalho de uma procuração usualmente inclui os seguintes itens, embora não esteja limitada somente a isso:

Aspectos relacionados ao produto, serviço ou resultado que será entregue

  • Nome do produto, serviço ou resultado que será adquirido;
  • Quantidade desejada;
  • Descrição do uso que será dado ao produto a ser adquirido ou do problema que o produto, serviço ou resultado deverá resolver;
  • Especificações técnicas do produto, serviço ou resultado a ser entregue;
  • Especificações da necessidade de compatibilidade entre tecnologias;
  • Especificações dos padrões de qualidade a serem atendidos, incluindo a especificação dos testes a serem realizados;
  • Especificação do desempenho do produto ou do serviço adquirido, incluindo o período para obtenção do desempenho desejado;
  • Critérios de aceitação daquilo que será fornecido;
  • Especificações das premissas e restrições aplicáveis;
  • Definição do(s) local(is) do fornecimento e;
  • Definição dos termos Incoterms (International Commercial Terms / Termos Internacionais de Comércio) aplicáveis (Se for o caso)

Entregas acessórias

  • Especificações de entregas de produtos acessórios a serem desenvolvidos;
  • Especificações dos treinamentos e serviços acessórios a serem desenvolvidos;
  • Especificações dos serviços acessórios a serem desenvolvidos;
  • Especificação da documentação que deve ser fornecida juntamente com o produto, serviços ou resultado daquilo que será fornecido;
  • Critérios de aceitação das entregas acessórias;
  • Especificações das premissas e restrições aplicáveis às entregas acessórias;
  • Definição do(s) local(is) do fornecimento das entregas acessórias e;
  • Definição dos termos Incoterms (International Commercial Terms / Termos Internacionais de Comércio) aplicáveis (Se for o caso).

Prazos

  • Prazo para início dos trabalhos;
  • Prazos das entregas principais;
  • Prazos das entregas acessórias;
  • Prazos de final de encerramento e;
  • Datas marcos importantes.

Especificações de como o fornecimento será feito

  • Descrição do trabalho e das atividades a serem executadas, incluindo o método aplicável (se for o caso) e;
  • Descrição das responsabilidades de quem fará tais trabalhos e atividades.

Aspectos regulatórios

  • Especificações das normas de segurança, meio ambiente, saúde e medicina do trabalho que devem ser aplicáveis ao fornecimento;
  • Especificação da legislação que deve ser respeitada na execução dos trabalhos e;
  • Especificações de todos os requerimentos normais ou especiais, incluindo aqueles fora de padrões usuais.

Aspectos fiscais

  • Especificações de enquadramentos tributários especiais ou de aproveitamento de incentivos fiscais que devem ser usados para cálculo do preço daquilo que deve ser fornecido e;
  • Descrição das responsabilidades tributárias relativas aos fornecimentos.

Aspectos relacionados com o gerenciamento do fornecimento

  • Especificação da metodologia de gerenciamento;
  • Especificação das responsabilidades de cada parte envolvida no fornecimento;
  • Descrição das decisões chaves a serem tomadas durante o projeto nos marcos de aprovação das etapas do fornecimento e;
  • Especificação de quaisquer relatórios que devem ser feitos durante a execução dos trabalhos contratados.

Especificação de recursos

  • Especificação dos recursos humanos que devem ser disponibilizados ou usados pelo contratado;
  • Qualificação dos profissionais envolvidos no fornecimento e;
  • Especificação dos recursos materiais que devem ser disponibilizados ou usados pelo contratado.

Certificações

  • Certificações necessárias para a realização do fornecimento (se aplicável).

Licenças

  • Descrição das licenças necessárias para execução dos trabalhos contratados;
  • Descrição das responsabilidades pela obtenção de licenças e;
  • Descrição dos prazos para obtenção das licenças.

Seguros

  • Descrição dos tipos de seguros a serem contratados e;
  • Descrição das responsabilidades relativas a contratação de seguros;

Observações

Incluir quaisquer observações gerais importantes ao processo de contratação e fornecimento.

Qual a diferença entre contratos FPIF e CPIF?

Qual a diferença entre contratos FPIF e CPIF? Porque tais contratos têm “alvos de custo”?

Esse post é para responder à pergunta feita pela minha aluna Aline Ferreira do MBA de Gestão de Projetos 2011 da FGV em Juiz de Fora, MG. A resposta da pergunta é:

1) O contrato FPIF (Fixed Price Incentive Fee) é um contrato de preço fixo. Se traduzirmos a expressão Fixed Price Incentive Fee teremos algo como Contrato de Preço Fixo com Remuneração de Incentivo. Nesse tipo de contrato o preço é fixo para execução do escopo combinado do projeto. Por isso o preço não muda. Mas o contratante concede ao contratado um prêmio adicional, que é o Incentive Fee (ou remuneração de incentivo) caso ela consiga alcança algum objetivo combinado entre ambas as partes. Esse objetivo pode ser entregar o trabalho contratado antes ou com uma qualidade ou desempenho melhor do que aquilo que estava acordado.

2) Já o contrato CPIF é um contrato de reembolso de custos com remuneração de incentivo (Cost Plus Incentive Fee). Nesse tipo de contrato todos os gastos que o contratado incorrer para executar o projeto serão reembolsados pelo contratante. Observe que nesse caso o contratado deve apresentar as notas fiscais e recibos dos gastos incorridos sem nenhum tipo de taxa adicional sobre tais gastos. O reembolso não cobre nenhum tipo de remuneração, lucro ou taxas administrativas de qualquer espécie. Como o próprio nome do contrato diz, o reembolso é apenas sobre quilo que foi gasto pelo contratado para fazer o projeto. Fora o reembolso de custo, o contratado tem direito a receber uma remuneração pelo seu trabalho. Essa remuneração é fixa e pode ser paga de diversas formas: de uma vez só ou em parcelas. O que vale nesse caso é o que foi combinado com o contratante. A remuneração deve cobrir os custos indiretos do contratante, os tributos e seu lucro. Como se trata de um contrato com cláusula de incentivo, o contratado fará jus a um determinado prêmio (Incentive Fee) caso consiga cumprir com alguma meta desejada pelo contratante. O prêmio pode ser concedido se o contratado entregar o projeto antes ou se o resultado final for melhor do que o que estava definido como padrão mínimo de qualidade ou desempenho.

3) Ambos os contratos possuem tetos máximos de premiação. Vamos a um exemplo: suponha que o contratado deve receber um prêmio de R$ 10.000,00 por dia de antecipação num projeto de seis meses de duração. Mas por contrato o prêmio máximo é de R$ 100.000,00. Isso significa que o máximo que o contratante pagará de prêmio, seja num contrato ou no outro, será de 10 dias de antecipação. Se o contratante entregar com mais de 10 dias de antecipação, vai receber o preço combinado (no caso do contrato FPIF) ou o reembolso de custos mais sua remuneração (no caso do contrato CPIF). E além dessas verbas, o contratado receberá ainda mais R$ 10.000,00 de prêmio.

4) Os prêmios, da mesma forma que as multas contratuais, sempre são limitadas. A razão disso é que se não houver a imposição de limites podem ocorrer problemas. No caso das multas, o contratado pode atrasar muito e mesmo assim entregar o projeto. Se a multa fosse ilimitada, existiria a possibilidade dele não receber nada, apesar de ter feito o trabalho para o qual foi contratado. E o trabalho realizado, mesmo que tenha sido entregue com atraso, tem valor. No caso de prêmios, a razão de limitar está relacionada normalmente com a questão da qualidade, da segurança do trabalho e do aspecto econômico e financeiro. Se não existem limites, o contratado pode se sentir incentivado a correr tanto com a execução do projeto que a qualidade poderá ser ruim. Ou podem ocorrer problemas de segurança do trabalho. Por fim deve ficar claro que, nesses tipos de contrato, o contratante aceito pagar um prêmio de incentivo. Mas não quer que esse prêmio extrapole o orçamento original que ele tem para implantar o projeto. Sem um limite de premiação, a conta pode ficar muito alta para o contratante.

Como o advogado interpreta contratos?

Como o advogado interpreta contratos?

Por Álvaro Camargo, PMP

Lidar com contratos é algo inevitável na vida de um gerente de projeto. A grande questão é que, para quem não é advogado, lidar com contratos não é algo necessariamente simples. A interpretação de contratos é uma tarefa que pode ser complexa. Gerentes que tem formação técnica costumam ficar desconcertados pela maneira como os advogados interpretam os contratos e acham “brechas” para suas argumentações.

Não sou advogado. Mas por ter uma larga experiência em gerenciamento de projetos e na gestão de contratos, acabei, ao longo dos anos, descobrindo como é que os advogados interpretam contratos.

De um modo geral, os profissionais que não são advogados costumam ler o contrato, interpretando-o ao “pé-da-letra”.  É um método simplista. Conforme veremos adiante, um advogado consegue enxergar muito mais do que um simples mortal pelo fato de que ele domina técnicas mais sofisticadas de interpretação dos contratos.

Um advogado pode fazer uso da Hermenêutica. A hermenêutica é um método cientifico utilizado por outras áreas do conhecimento cientifico. No caso do direito, a Hermenêutica pode ser definida como o exame sobre os pressupostos. A Hermenêutica tem esse nome devido ao Deus Grego Hermes, que era mensageiro dos Deuses. Sua função era levar a mensagem dos Deuses para os homens e vice versa.

No caso da área de Direito, a Hermenêutica, segundo o que puder apurar, faz uso de alguns métodos, descritos a seguir:

Método Gramatical: esse é o método mais básico. Consiste na busca do sentido literal ou textual do contrato. Esse método é apenas o ponto de partida para interpretar um contrato. Faz sentido. Se gramaticalmente o texto está incorreto, é evidente que poderá gerar controvérsias. E isso abre brechas para que o advogado defenda seus pontos de vista. Por outro lado, a interpretação simplesmente gramatical do texto também pode levar a conclusões injustas ou incorretas. Não é porque o texto está gramaticalmente correto que o contrato está correto.

Método Sistemático: nesse método busca-se o entendimento do contrato a partir do seu todo. Um contrato não pode ser analisado em pedaços. Uma clausula pode afirmar algo. Mas outra clausula pode contrariar o que está disposto em outra clausula. Além disso, certas clausula contratuais podem contrariar o sistema de normas legais. Por isso o método sistemático é uma análise de todo o sistema contratual (conjunto de clausulas) e das normas legais vigentes.

Método Histórico: esse método busca antecedentes remotos e imediatos que podem interferir no processo de interpretação do contrato. Um contrato formaliza acordos e faz uso daquilo que os advogados chamam de institutos, ou seja, as práticas legais normalmente aceitas e adotadas. Muitas vezes um contrato é produto de uma série de negociações, que podem levar a uma peça que é uma verdadeira colcha de retalhos. Mas a análise do contexto histórico provavelmente mostrará porque o instrumento contratual foi escrito do jeito que foi escrito. E isso pode levar o advogado a descobrir “brechas” que podem favorecer o ponto de vista que ele quer defender. Como exemplo, podemos citar a Constituição Federal de 1988. Nossa carta magna tem diversas “esquisitices”. Nela encontramos diversas normas de aplicabilidade limitada, que necessita de legislação complementar para que seus efeitos sejam produzidos. Por que a constituição brasileira é assim? Uma análise histórica mostra que a mesma foi escrita num período de redemocratização da sociedade. Os problemas da ditadura estavam ainda muito marcados na sociedade. Isso fez com que o legislador tivesse o intuito de proteger direitos. Nesse afã de proteger direitos, criou uma constituição com pontos que jamais deveriam estar numa constituição. Exemplo: determinação de pagamento de adicional de férias.

Método Teleológico: é o método que busca a finalidade ou os fins que inspiraram aqueles que redigiram o contrato. Existe certa presunção de que quem escreveu tinha certos objetivos em mente e elaborou o contrato como meios de atingir esses objetivos. Sob tal enfoque, deve-se entender aquilo que está escrito deve ser conciliado com a finalidade que o redator tinha previsto.

Método Tópico-problemático: esse método busca o exame do caso concreto, para, a partir daí, escolher uma das opções interpretativas. Depois desse exame busca-se fundamentar a decisão.

Além desses métodos, os advogados usam outros métodos hermenêuticos, listados a seguir:

  • Método Sociológico
  • Método Hermenêutico – Concretizador
  • Método científico-espiritual
  • Método normativo-estruturante

Não tenho certeza de que tais métodos sejam aplicáveis aos contratos. Pelo conhecimento limitado que tenho a respeito da área de direito, são métodos usados na interpretação de leis e não de disputas contratuais (Interpretação da Constituição, por exemplo). Mas lembre-se: não sou advogado. Portanto posso estar enganado. Minha intenção aqui não foi a de escrever um tratado. Mas apenas tentar esclarecer alguns métodos usados pelos advogados quando tratam de interpretar contratos e as disputas entre contratado e contratante. Se quiser aprofundar, sugiro consultar seu advogado.

Contrato EPCM – O que é?

Contrato EPCM – O que é?

O contrato EPCM (Engineering, Procurement and Construction Management) é um contrato de prestação de serviços usado na área de projetos de engenharia. Nesse tipo de contrato a empresa contratada desenvolve o projeto, faz a compra de equipamentos e materiais e faz a gestão do processo de construção para seu contratante. A empresa contratada atua como um agente do dono do projeto ou da obra. Nesse tipo de contrato a empresa contratada não constrói. Mas ela é a responsável pela gestão da entidade contratada para construir.

De um modo geral, uma empresa contratada em regime EPCM é responsável por:

(a) Desenvolvimento do projeto (incluindo o projeto básico e executivo).
(b) Aquisição de materiais e equipamentos a serem empregados no projeto;
(c) Gerenciamento e administração dos contratos de construção firmados entre o contratante e as empresas responsáveis pela construção.

A burrice nos processos de administração contratual em projetos

A burrice nos processos de admininstração contratual em projetos

Praticamente todo projeto de grande porte envolve contratações. E sempre que existe um contrato, existe a possibilidade de disputas. O caminho natural para disputas, quando não se chega a um acordo deveria ser a justiça. Infelizmente  a justiça brasileira simplesmente não funciona adequadamente. É muito lenta e cara.

Nessa hora entram em campo os mecanismos alternativos de disputa contratual:

  • Negociação entre as partes (Melhor forma de resolução de disputas)
  • Mediação
  • Arbitragem

A mediação faz uso de um mediador. É uma maneira mais informal de resolução da disputa. O mediador tenta auxiliar as partes a chegar num acordo. Já na arbitragem, existe um arbitro que profere uma sentença arbitral. Por isso é um processo formal e com menos chance de reversão na justiça comum. Uma decisão arbitral dificilmente será derrubada na justiça comum se o processo arbitral ocorreu sem vícios.

Atualmente todo contrato de projetos de grande porte prevê o uso de cláusulas de arbitragem. Não dá para confiar que disputas envolvendo grandes quantias serão resolvidas na justiça.

O curioso é que mesmo com a inclusão da clausula de arbitragem nos contratos e a escolha de uma boa câmara de arbitragem, as empresas costumam ter prejuízos enormes que poderiam ser evitados.

A razão disso? Muito simples. Falta de registro das fatos e evidências.

Se você tem uma disputa com seu contratante (ou contratado), tal disputa só será resolvida de forma satisfatória se os fatos e as evidências tiverem sido (muito bem) documentadas. Mas isso não é o que ocorre na maioria das empresas.

O registro dos fatos e das evidências é tudo numa disputa. Se você não registrou as causas do desequilibro econômico e financeiro de um contrato, não há como reverter essa situação depois, seja qual for o mecanismo de resolução de disputa. Por isso o registro de informações é essencial.

Minha experiência me diz que as falhas nos processos de registro de fatos e evidências no decorrer do contrato ocorrem devido às questões:

  • As pessoas encarregadas de registrar não são preparadas para essa tarefa. É comum em projetos de engenharia que a pessoa que faz o registro do diário de obra seja um elemento que, no máximo, tem letra bonita. Muitas vezes nem escrever direito, sabe.  Em projetos de TI e Telecomunicações essa preocupação de registro as vezes nem mesmo existe.
  • O segundo problema é que a equipe de projeto não dispõe de metodologia e ferramentas de software adequadas para registrar os fatos e evidências e relacionar as causas e os efeitos de alterações das condições contratuais originais.

O primeiro problema é fácil de resolver: pessoas com capacidade para a tarefa de registro das informações devem estar disponíveis para ajudar na administração do contrato. Se esses profissionais não existirem, sempre se pode fazer uso de treinamentos. Costumo fazer treinamentos de capacitação desse tipo para meus clientes. O resultado é sempre ser muito bom. O registro das informações passa a ser bem feito, minimizando o risco de problemas.

Já com relação às ferramentas de software a dificuldade é maior. Qualquer uso de recursos de informática deve ser aprovados pelo departamento de TI da empresa. E o pessoal de TI, de um modo geral, não consegue disponibilizar esse tipo de recursos para os membros das equipes de projeto. Como TI é visto como um centro de despesas e não como uma ferramenta estratégica, é comum que esse departamento não tenha verbas para implantar sistemas que ajudem as equipes de projeto.

Além disso os departamentos de TI normalmente carecem de conhecimento sobre como gerenciar informações não estruturadas. O normal é o departamento de TI preocupar-se com os sistemas corporativos, que faz uso de informações altamente estruturadas em bancos de dados.

Informações não estruturadas, contidas em cartas, atas e e-mails são os itens mais importantes para fins de resolução de disputas contratuais. Para lidar com isso é necessário ferramentas especiais de software com capacidade de relacionamento entre registros de informações e documentos. Isso significa ter:

  • Um banco de dados com capacidade de multi relacionamentos entre informações (Relacionamento N x N).
  • Integração com repositórios de documentos, com capacidade para fazer ” links” entre itens contidos num documento com outro documento ou com registros de bancos de dados. Nem toda a empresas tem esse tipo de ferramenta. No máximo existem ambientes de colaboração e repositórios de documentos fracamente integrados. Isso é claramente insuficiente para a tarefa de lidar com o registro das informações desestruturadas de um contrato. Um categoria especial de software é necessário. São sistemas que apresentam características de CRM (Customer Relationship Management) com repositórios de documentos.

Conclusão

Devido à falta do entendimento da importância do processo de registro de evidências e fatos e da falta de recursos de informática, muitas empresas tomam grandes prejuízos em seus projetos.

Muitas empresas costumam dizer que não podem investir no treinamento e na implantação e manutenção de um sistema decente de informações sobre ocorrência de contratos. Mas essas mesmas empresas não se importam de perder (muito) dinheiro pagando advogados e assumindo prejuízos que não lhes compete. Estranho isso, não é?

Meu velho pai já dizia: o burro quanto mais mostra o lombo, mais apanha.

E a sua empresa como fica? Prefere ficar mostrando o lombo ou vai capacitar seu pessoal e municiá-lo de ferramentas de software para obter bons resultados em seus contratos de projeto?

Template de RFP – Request for Proposal

RFP

Template de RFP – Request for Proposal

Uma das solicitações mais comuns que recebo quando ministro algum treinamento sobre aquisições está relacionado com a estruturação da RFP. O quê ela deve conter? Quais são os campos? Essas são as perguntas mais comuns. Não é muito díficil imaginar que campos uma RFP deve conter. Abaixo está colocado um modelo composto de três partes: instruções gerais ao fornecedor, contrato e anexos.

O modelo de RFP colocado abaixo é bastante usado para serviços e obras de engenharia, especialmente quando o contratante é governo ou empresa estatal. Mas esse modelo pode ser usado nas aquisições feitas por empresas particulares.

No caso de projetos de Telecomunicações e Tecnologia da Informação, esse modelo também é válido. Mas é evidente que é necessário adaptar a RFP para as necessidades específicas desse tipo de projeto.

Primeira parte – Instruções para gerais ao fornecedor

As instruções gerais ao fornecedor devem conter no mínimo:

  • Informações gerais sobre o fornecimento
  • Data e local de entrega da proposta
  • Especificação da data de divulgação do vencedor da licitação.
  • Instruções sobre como o candidato ao fornecimento deve esclarecer duvidas para elaboração da proposta
  • Lista de documentos que o fornecedor deverá apresentar junto com a proposta
  • Critérios de avaliação do fornecedor

Segunda parte – Contrato

O contrato é a especificação do acordo que será fechado para o fornecimento.  Um contrato é composto de:

  • Identificação das partes
  • Definição do objeto contratual (O que deverá ser fornecido)
  • Cláusulas contratuais gerais (Prazos, condições de fornecimento, local de fornecimento ou de execução dos trabalhos, responsabilidades do contratante, responsabilidades do contratado, etc.)
  • Cláusulas comerciais e financeiras (Preço, condições de pagamento, data base, cláusulas de reajuste, garantias, penalidades, incentivos, etc.)
  • Condições Gerais (Foro e regras gerais)
  • Anexos do contrato

Terceira parte – Anexos

Os anexos complementam a RFP. O anexo mais importante é a Declaração de trabalho (SOW – Statement of Work). A declaração de trabalho deve esclarecer de forma clara, objetiva e completa aquilo que será fornecido. Isso inclui, entre outras coisas:

  • Lista de Requerimentos daquilo que será fornecido.
  • Especificações de performance (Para produtos).
  • Qualificações, conhecimento e experiência requeridas (Para serviços).
  • Outros requerimentos.

Modelos de formulários

Também é importante colocar como anexos modelos de formulários a serem usados no processo. Exemplos:

  • Modelo com o formato que a proposta deve apresentar.
  • Modelo da declaração de trabalho.

Em fornecimentos relacionados com obras e montagens industriais é comum também que os anexos incluam:

  • Diretrizes de gestão da qualidade
  • Diretrizes de SMS (Segurança e Medicina do Trabalho)
  • Diretrizes relacionadas com preservação do meio ambiente
  • Diretrizes de medição dos serviços executados
  • Diretrizes gerais para instalação de canteiro de obras
  • Diretrizes para alterações de escopo
  • Diretrizes de segurança patrimonial
  • Diretrizes de responsabilidade social
  • Diretrizes para procedimento de cálculo de extensão de prazo devido à ocorrência de descargas atmosféricas e chuvas
  • Diretrizes de comissionamento e posta-em-marcha (Start up)
  • Diretrizes para gerenciamento do projeto (Emissão periódica de relatórios, modelos de relatórios, reuniões de acompanhamento do projeto, etc.).
  • Diretrizes para gerenciamento de crises.
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