Alvaro Camargo, M.Sc., PMP

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Projeto do ajuste fiscal brasileiro em 2015

Projeto do ajuste fiscal brasileiro em 2015

Não é novidade para ninguém que o Brasil precisa fazer urgentemente um forte ajuste fiscal. Cada ajuste fiscal é único por sua própria natureza. A forma de fazer um ajuste fiscal depende das circunstâncias do momento em que ele é feito. Se o ajuste fiscal brasileiro tivesse sido feito há um ou dois anos atrás, é certo que seria diferente do ajuste que o ministro Joaquim Levy terá que fazer hoje. Dado o caráter único de cada ajuste fiscal feito pelo governo, podemos considerar que se trata de um projeto. Um projeto nada mais é do que um esforço feito para gerar um produto, serviço ou resultado único. No caso atual, o projeto tem que gerar dois resultados bem específicos: o equilibro das contas públicas e a restauração da credibilidade do Brasil junto aos agentes econômicos, em especial, os investidores. Como qualquer projeto, o de ajuste fiscal também deve ser ter um planejamento que inclua a definição de objetivos gerais e específicos, a definição do seu escopo, a identificação dos stakeholders e dos seus requisitos e dos demais pontos exigidos para uma boa governança de projeto conforme recomendação de padrões internacionais, como por exemplo, o Project Management Body of Knowledge.

Neste contexto, seria ótimo que a Presidente Dilma Roussef conhecesse um pouco mais sobre gerenciamento de projetos. Um projeto para ser bem sucedido, exige, entre outras coisas, um patrocinador que jogue a favor do projeto e um gerente de projeto com poderes e competência para “tocar” o projeto. Aparentemente não é o que estamos vendo. Apesar do nome de peso de Joaquim Levy no Ministério da Fazenda, existem dúvidas sobre quem realmente vai gerenciar esse projeto de ajuste fiscal. Se Dilma continuar se considerando a economista chefe do governo, é certo que o projeto fracassará. O papel da Presidente é o de patrocinador e não de gerente do projeto. Um patrocinador deve apoiar o projeto e “blindar” o gerente do projeto contra a pressão de mudanças no objetivo e no escopo do projeto. Já a função do gerente de projeto é a de planejar, executar e tomar as ações de controle para evitar que o projeto saia dos trilhos. A sinalização que vem sendo dada pelo governo, dá a impressão de que Dilma não vai abdicar do papel de economista chefe do governo. Se isso for verdade, ela será o gerente do projeto de ajuste fiscal. O recente “pito” que ela deu no Ministro Nelson Barbosa a respeito do salário mínimo sinaliza que, aparentemente, a Presidente Dilma não compreende a dinâmica e nem os métodos que fazem com que um projeto seja bem sucedido. O projeto em pauta já tem um gerente competente. Falta agora a patrocinadora engajar-se no papel que lhe cabe. Ficarei muito feliz se essa percepção que eu tenho estiver errada.


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