Alvaro Camargo, M.Sc., PMP

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Análise PESTEL: uma ferramenta útil tanto para identificação de riscos e como para identificação de stakeholders em projetos

 

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Quando gerenciamos um projeto, é necessário fazer uma correta identificação e análise de riscos e de stakeholders. Em ambos os casos o objetivo é o mesmo: evitar surpresas desagradáveis. O grande problema quando se fala de riscos e stakeholders é a dificuldade que surge na hora de identificação dos riscos e dos stakeholders. Existem riscos e stakeholders cuja identificação é óbvia. Mas isso não é regra geral. E é aí que mora o perigo. Não há como se precaver contra algo que não sabemos que existe. O máximo que se pode fazer é ter reservas de gerenciamento para lidar com problemas potenciais que possam ser causados por riscos não identificados ou por demandas de stakeholders que não haviam sido identificados (O que na realidade é um tipo específico de risco). Existem muitas ferramentas que podem ser usadas para identificação de riscos. No presente artigo vou discorrer sobre uma ferramenta bem simples e que pode ser usada tanto no contexto de identificação de riscos como no contexto de identificação de stakeholders: a análise PESTEL, que tem seu nome baseado num acrônimo formado pelas primeiras letras de fatores chave quando se faz a análise de uma conjuntura. O quadro a seguir mostra o significado de cada um dos fatores que dão nome à essa ferramenta de análise de cenários e que é usada para identificação de riscos e stakeholders em projetos ou no planejamento estratégico das empresas e instituições do Estado, como por exemplo, nos governos das Prefeituras, Estados e no ente federativo nas esferas dos três poderes constituídos.

Fatores

Explicação e exemplos

Políticos

São os fatores relacionados com a política. A corrupção endêmica que existe no Brasil é um exemplo de fator político que cria dificuldades para as empresas e para a sociedade como um todo.

Econômicos

São os fatores relacionados com a conjuntura econômica de um país, como por exemplo, a taxa de juros vigente, nível da dívida externa de um país, nível de empresa e a taxa cambial.

Sociais

São os fatores sociais, como por exemplo, composição da pirâmide etária da população, nível educacional, cultura e crenças de um povo. O Brasil, por exemplo, está passando por um processo de envelhecimento da sociedade. Isso trará forte impacto num futuro relativamente próximo.

Tecnológicos

Fatores de inovação que influenciam o modo como a economia funciona e que podem mudar de forma radical o ambiente no qual as empresas operam. O Uber é um exemplo de inovação que causou uma forte mudança para empresas de taxi, cooperativas de taxistas e taxistas individuais.

Ecológicos

Fatores ecológicos estão, por óbvio, relacionados com o meio ambiente. A China, por exemplo, tem um sério problema de poluição que afeta a sociedade e as empresas. Como resultado, o governo chinês está incentivando o desenvolvimento de uma indústria mais verde.

Legais

Fatores legais são aqueles que tem a ver com a legislação vigente. Um exemplo bastante atual é a crescente extraterritorialidade das leis contra corrupção nos países desenvolvidos. Crimes cometidos em um país podem levar uma pessoa a ser detida em outro país. Um exemplo brasileiro é o conhecido ex-presidente da Confederação Brasileira de Futebol José Maria Marin.

É fácil perceber que a análise dos fatores PESTEL ajuda na identificação de riscos aos quais as organizações e seus projetos estão sujeitos. Mas é importante observar que a análise PESTEL também ajuda na identificação de stakeholders. Um possível exemplo de identificação de stakeholders em projetos com base na análise PESTEL é a percepção que hoje já temos de que, num futuro bem próximo, teremos um aumento muito grande de um grupo importante de stakeholders no Brasil: a população de idosos. No plano legal, por exemplo, quando se desenvolve um projeto em empresas multinacionais, o poder judiciário de outros países pode ser um stakeholder importante a ser considerado quando da decisão sobre riscos jurídicos.

No presente momento as ferramentas visuais, também chamadas de Canvas, ou ainda, de ferramentas de design thinking, estão na moda. A análise PESTEL é um exemplo típico de ferramenta facilmente adaptável para uso em um Canvas, que é denominação genérica para uma técnica de pensamento em grupo que faz uso de uma superfície vertical, como por exemplo, um quadro branco e uso de papeletas para colocar itens dispostos em áreas delimitadas dessa superfície vertical). A seguir está colocado um possível exemplo de um canvas para análise PESTEL.

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 Alvaro 01

Alvaro Camargo é consultor, palestrante e autor. Possui 37 anos de experiência na área de gerenciamento de projetos e de estratégia de negócios, com atuações em projetos e cursos nos Estados Unidos, Japão, Angola, Argentina e Colômbia. É Mestre em administração de empresas pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, com foco de pesquisa em capacidades dinâmicas e MBA em Administração de Projetos pela Fundação Instituto de Administração da USP. É graduado em Ciências da Computação pela Universidade Paulista e é certificado como PMP – Project Management Professional pelo Project Management Institute. Atuou em projetos de grande porte nas áreas de energia, indústria, petroquímica e outras. É palestrante, autor de livros e artigos científicos. É docente dos cursos de MBA na Fundação Getúlio Vargas no Brasil e no exterior. É professor convidado em cursos de pós-graduação na UNICAMP, na Universidade Federal de São Carlos e na FECS – Faculdade de Educação em Ciências da Saúde do Hospital Oswaldo Cruz. E-mail: camargo.alvaro@gmail.com

Manual de Projetos de Infraestrutura e Engenharia

Manual de Projetos de Infraestrutura e Engenharia

Manual de Projetos de Infraestrutura e Engenharia

É com grande prazer que anuncio a publicação do livro mais novo no qual eu trabalhei, juntamente com meu amigo e parceiro, Julio Schwartz. Trata-se de um manual completo com cerca de 500 páginas. O texto abrange todos os aspectos relacionados com o desenvolvimento desses tipos de projeto. O foco predominante do livro é a visão das empresas contratadas para construir projetos. A obra foi pensada para uso prático no dia-a-dia dos projetos, evitando a complexidade dos textos acadêmicos, porém com profundidade adequada que o assunto exige.

O livro pode ser encomendado, em formato impresso, nas duas lojas virtuais indicadas nos links abaixo. A versão eletrônica Kindle sairá em breve.

Amazon.com

Create Space Store

É um livro indispensável para engenheiros, arquitetos, administradores, advogados, integrantes de equipes de projetos e líderes empresariais envolvidos em projetos de infraestrutura e de engenharia nos setores público e privado no Brasil.

O livro tem diferenciais importantes:

1) É um livro escrito para a realidade brasileira, de acordo com a nossa legislação, com informações sobre o tamanho do mercado deste tipo de projeto no Brasil e com informações sobre as modalidades de contratos usadas em nosso país, assim como informações sobre os principais contratantes.

2) O O livro foi baseado na experiência prática em projetos de mais de 35 anos de cada um dos autores. Mas o texto também traz referências de inúmeros autores e pesquisadores do assunto, tornando-o apto, também, como fonte de referência para pesquisadores e acadêmicos.

3) O livro também traz uma contextualização histórica de projetos de infraestrutura e engenharia no Brasil, mostrando o primórdio desses projetos.

Se você vier a comprar o livro, não se esqueça de colocar seu comentário na página da Amazon.com. Desejo uma boa leitura a todos os interessados neste tipo de projeto.

Urgência também conta quando se trata de analisar riscos em projetos.

Dica do AlvaroAo fazer sua avaliação qualitativa de risco leve em consideração a probabilidade, o impacto e a urgência.

Multiplique a probabilidade (em %) pelo impacto (Em R$ ou outra moeda) e pela urgência (em período de tempo). Quanto maior esse produto mais prioritário é o risco

Técnica de Delphi para identificação de riscos

Oráculo de DelphiA técnica de Delphi é frequentemente citada em manuais de gerenciamento de riscos em projetos. Mas nem todos sabem o que é como aplicar essa técnica.

O presente post busca fornecer um esclarecimento a respeito do uso dessa técnica em gerenciamento de projetos.

Técnica de Delphi: o quê é?

Trata-se de uma técnica que pode ser usada para obter consenso a respeito dos riscos de um projeto. Note que a técnica de Delphi pode ser usada para obter qualquer tipo de consenso entre pessoas. Não é uma técnica apenas para identificação de riscos. O presente texto explica apenas o uso da técnica de Delphi para identificação de riscos em projetos.

Passos para usar a técnica de Delphi

  1. Defina o grupo que vai participar do processo.
  2. Envie questionários para cada participante e solicite sua opinião com relação aos riscos mais importantes. Peça para priorizar os riscos.
  3. Reuna todas as opiniões dadas pelos participantes e compile tudo numa só lista sem a identificação dos participantes.
  4. Envie a lista compilada para cada especialista e peça para revisar a lista de riscos. Pergunte se a lista deve ser revisada com algum risco adicional ou se a ordem dos riscos deve ser alterada.
  5. Tente obter consenso das respostas dadas. Se necessário repita o processo várias vezes até obter um consenso ou pelo menos chegar próximo de um consenso.

Vantagens da técnica Delphi

  • Tecnica adequada para obter consenso entre especialistas
  • Processo pode ser feito virtualmente
  • Pode focar em detalhes do projeto ou no projeto como um todo.

Desvantagens da técnica de Delphi

  • É um processo demorado.
  • Requer habilidade para interpretar as opiniões.

Plano de gerenciamento de riscos

Boba explodindo

Frequentemente sou perguntado sobre o conteúdo do plano de gerenciamento de riscos em um projeto. Aqui vai uma dica do Guia de análise e gerenciamento de riscos para Association for  Project Management:

Conteúdo do plano de gerenciamento de riscos

  1. Introdução.
  2. Descrição do projeto (A descrição deve incluir os parâmetros de sucesso do projeto).
  3. Finalidade e escopo do gerenciamento de riscos. Isso inclui: a) objetivos e b) Inclusões e exclusões de escopo
  4. Organização para gerenciamento de riscos
  5. Responsabilidades e papéis
  6. Orçamento
  7. Processos de gerenciamento de risco e propriedade desses processos: nesse item serãoá descritos os processos que a equipe de gerenciamento do projeto deve seguir. Cada processo tem um responsável (ou responsáveis). Nesse item define-se, por exemplo: a) Se será feita uma análise qualitativa e quantitativa ou apenas qualitativa dos riscos, b)Se haverá um escritório de gerenciamento de riscos em separado da equipe ou se o gerenciamento será feito pela equipe.
  8. Anexos do plano. Os anexos do plano podem incluir, por exmeplo: a) Políticas corporativas de gerenciamento de riscos, b)Ferramentas e técnicas propostas para serem usadas no processo de gerenciamento de riscos (Softwares, metodologias, técnicas, etc.), c) Fontes de dados de riscos e d) Formulários padrões.
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