Alvaro Camargo, M.Sc., PMP

A seguradora como agente de fiscalização em projetos públicos

RevistaSeguroTotal

No dia 02/02/2017 eu postei aqui um artigo sobre o projeto de lei 274/2016 que trata do seguro garantia (também conhecido por performance bond). No meu entendimento, se esse projeto de lei for aprovado na integra, haverá um grande impacto para os projetos que vierem a ser contratados pelos entes públicos no Brasil. O assunto despertou interesse no setor de seguros e fui entrevistado pela jornalista Aurora Ayres da Revista Seguro Total, que cobre as notícias do setor. Clique aqui para ver a integra dessa entrevista, contida na página 30.

 

Análise PESTEL: uma ferramenta útil tanto para identificação de riscos e como para identificação de stakeholders em projetos

 

Pestel

Quando gerenciamos um projeto, é necessário fazer uma correta identificação e análise de riscos e de stakeholders. Em ambos os casos o objetivo é o mesmo: evitar surpresas desagradáveis. O grande problema quando se fala de riscos e stakeholders é a dificuldade que surge na hora de identificação dos riscos e dos stakeholders. Existem riscos e stakeholders cuja identificação é óbvia. Mas isso não é regra geral. E é aí que mora o perigo. Não há como se precaver contra algo que não sabemos que existe. O máximo que se pode fazer é ter reservas de gerenciamento para lidar com problemas potenciais que possam ser causados por riscos não identificados ou por demandas de stakeholders que não haviam sido identificados (O que na realidade é um tipo específico de risco). Existem muitas ferramentas que podem ser usadas para identificação de riscos. No presente artigo vou discorrer sobre uma ferramenta bem simples e que pode ser usada tanto no contexto de identificação de riscos como no contexto de identificação de stakeholders: a análise PESTEL, que tem seu nome baseado num acrônimo formado pelas primeiras letras de fatores chave quando se faz a análise de uma conjuntura. O quadro a seguir mostra o significado de cada um dos fatores que dão nome à essa ferramenta de análise de cenários e que é usada para identificação de riscos e stakeholders em projetos ou no planejamento estratégico das empresas e instituições do Estado, como por exemplo, nos governos das Prefeituras, Estados e no ente federativo nas esferas dos três poderes constituídos.

Fatores

Explicação e exemplos

Políticos

São os fatores relacionados com a política. A corrupção endêmica que existe no Brasil é um exemplo de fator político que cria dificuldades para as empresas e para a sociedade como um todo.

Econômicos

São os fatores relacionados com a conjuntura econômica de um país, como por exemplo, a taxa de juros vigente, nível da dívida externa de um país, nível de empresa e a taxa cambial.

Sociais

São os fatores sociais, como por exemplo, composição da pirâmide etária da população, nível educacional, cultura e crenças de um povo. O Brasil, por exemplo, está passando por um processo de envelhecimento da sociedade. Isso trará forte impacto num futuro relativamente próximo.

Tecnológicos

Fatores de inovação que influenciam o modo como a economia funciona e que podem mudar de forma radical o ambiente no qual as empresas operam. O Uber é um exemplo de inovação que causou uma forte mudança para empresas de taxi, cooperativas de taxistas e taxistas individuais.

Ecológicos

Fatores ecológicos estão, por óbvio, relacionados com o meio ambiente. A China, por exemplo, tem um sério problema de poluição que afeta a sociedade e as empresas. Como resultado, o governo chinês está incentivando o desenvolvimento de uma indústria mais verde.

Legais

Fatores legais são aqueles que tem a ver com a legislação vigente. Um exemplo bastante atual é a crescente extraterritorialidade das leis contra corrupção nos países desenvolvidos. Crimes cometidos em um país podem levar uma pessoa a ser detida em outro país. Um exemplo brasileiro é o conhecido ex-presidente da Confederação Brasileira de Futebol José Maria Marin.

É fácil perceber que a análise dos fatores PESTEL ajuda na identificação de riscos aos quais as organizações e seus projetos estão sujeitos. Mas é importante observar que a análise PESTEL também ajuda na identificação de stakeholders. Um possível exemplo de identificação de stakeholders em projetos com base na análise PESTEL é a percepção que hoje já temos de que, num futuro bem próximo, teremos um aumento muito grande de um grupo importante de stakeholders no Brasil: a população de idosos. No plano legal, por exemplo, quando se desenvolve um projeto em empresas multinacionais, o poder judiciário de outros países pode ser um stakeholder importante a ser considerado quando da decisão sobre riscos jurídicos.

No presente momento as ferramentas visuais, também chamadas de Canvas, ou ainda, de ferramentas de design thinking, estão na moda. A análise PESTEL é um exemplo típico de ferramenta facilmente adaptável para uso em um Canvas, que é denominação genérica para uma técnica de pensamento em grupo que faz uso de uma superfície vertical, como por exemplo, um quadro branco e uso de papeletas para colocar itens dispostos em áreas delimitadas dessa superfície vertical). A seguir está colocado um possível exemplo de um canvas para análise PESTEL.

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 Alvaro 01

Alvaro Camargo é consultor, palestrante e autor. Possui 37 anos de experiência na área de gerenciamento de projetos e de estratégia de negócios, com atuações em projetos e cursos nos Estados Unidos, Japão, Angola, Argentina e Colômbia. É Mestre em administração de empresas pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, com foco de pesquisa em capacidades dinâmicas e MBA em Administração de Projetos pela Fundação Instituto de Administração da USP. É graduado em Ciências da Computação pela Universidade Paulista e é certificado como PMP – Project Management Professional pelo Project Management Institute. Atuou em projetos de grande porte nas áreas de energia, indústria, petroquímica e outras. É palestrante, autor de livros e artigos científicos. É docente dos cursos de MBA na Fundação Getúlio Vargas no Brasil e no exterior. É professor convidado em cursos de pós-graduação na UNICAMP, na Universidade Federal de São Carlos e na FECS – Faculdade de Educação em Ciências da Saúde do Hospital Oswaldo Cruz. E-mail: camargo.alvaro@gmail.com

Como o novo segmento liberal da classe média baixa brasileira afeta o trabalho de Marketing e RH nas empresas?

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O Brasil está mudando rapidamente. E, é claro, que a situação política brasileira, incendiada pela Operação Lava Jato, e o avanço da influência das igrejas evangélicas, que abraçam a causa da prosperidade pessoal através de uma postura de trabalho e empreendedorismo, estão contribuindo (e muito) para isso. As pessoas começam a perceber que depender de um Estado corrupto e ineficiente nunca vai levar ninguém à ser próspero, a menos, é claro, que você seja um político corrupto.

A importância do assunto não é desprezível. Tanto é assim que a revista Época, em sua edição de 10 de abril de 2017, dedicou exatas doze páginas sobre o assunto. O mesmo assunto surgiu recentemente também em diversos outros órgãos de imprensa, como por exemplo o jornal O Globo (em 05 de abril de 2017, e o jornal O Estado de São Paulo (em 03 de abril de 2017).  Segundo a reportagem da revista Época, e também conforme a pesquisa da Fundação Perseu Abramo, entidade ligada ao Partido dos Trabalhadores e que foi citada na reportagem, existe uma nova classe social emergente que não enxerga o mundo sob a ótica da luta de classes.

Essas fontes afirmam que está emergindo no Brasil um novo segmento social, cujos valores são baseados na cultura da iniciativa, do mérito individual e do empreendedorismo. Segundo a revista Época, são os chamados “novos liberais”. São pessoas, usualmente de classe média baixa que estão prosperando por conta própria, sem a ajuda (ou apesar) do Estado. Mas o que é que isso tem a ver com as empresas?

A resposta é simples. As empresas devem refletir isso em sua estratégia de marketing. Esse segmento social quer um “empoderamento” obtido através de sua própria iniciativa e mérito. As marcas precisam refletir isso ou poderão perder clientes para os concorrentes que perceberem isso antes.

Por outro lado, o RH precisa estar atento para atrair e manter pessoas desse novo segmento social nas empresas. Sem esse tipo de pessoas trabalhando na empresa, será difícil entender como esse novo segmento social pensa. Aqueles que pertencem a esse segmento social não se sentirão atraídos por ofertas de trabalho burocráticas, no qual não haja a percepção de meritocracia e nem a possibilidade de crescimento profissional. Esse novo brasileiro não quer apenas medidas compensatórias dadas pelo Estado para as classes menos favorecidas. Esse novo brasileiro quer oportunidades e instrumentos para crescer, conforme colocado pelo Prof. Mangabeira Unger, na entrevista da revista Época em 10 de abril de 2017. Trata-se de um segmento que quer vencer com seus próprios méritos. É exatamente esse tipo de, digamos assim, “fermento social” que fez com que alguns países de primeiro mundo prosperassem, como por exemplo, os Estados Unidos, cuja origem religiosa é protestante, que valoriza o trabalho e a meritocracia. O desafio está lançado para as empresas. Quem aproveitar essa percepção antes da concorrência vai se dar bem. Desnecessário comentar o que vai ocorrer com as empresas que insistirem em não enxergar essa nova realidade. Quem viver, verá.

A carne é fraca. Mas são fortes as oportunidades de gerenciamento de projetos na cadeia de produção de carne.

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Por Álvaro Camargo – 30 de março de 2017.

Não há dúvida de que a recente explosão do escândalo provocado pela Operação Carne Fraca foi muito ruim para o Brasil e para os produtores brasileiros de carne. Mas essa não é uma notícia ruim para os profissionais de gerenciamento de projetos que atuam na cadeia de produção de carne e derivados. A razão disso está relacionado com a revisão da legislação nessa área.

O Governo Federal revisou o Regulamento de Inspeção Industrial e Sanitária de Produtos de Origem Animal (Riispoa). O anuncio foi feito no dia 29 de março de 2017. A última revisão dessa regulamentação datava de 1952. Na nova versão, o regulamento foi enxugado, de 952 para 542 artigos, segundo afirma o site do jornal Valor Econômico em edição online de 29/03/2017. Uma mudança significativa está nas penalidades cujo valor máximo aumentou para R$ 500.000,00. Antes mesmo do Governo Federal anunciar essa revisão, o Estado do Mato Grosso do Sul já tinha atualizado recentemente a sua legislação sobre a inspeção e fiscalização de produtos de origem animal fabricados no estado, conforme anuncio feito em 11/03/2017, revisando as penalidades e os ritos processuais, determinando ainda novos critérios para a inspeção de pequenas agroindústrias, instaladas em assentamentos, cooperativas e propriedades da agricultura familiar, assim como a inspeção de animais destinados ao abate e pelos produtos e subprodutos que eles originam. Isso inclui também a inspeção de pescados, leite, os ovos, mel, a cera das abelhas e todos os derivados desses produtos.

Isso abre um enorme espaço para projetos a serem gerenciados. Os rótulos terão que ser renovados cada 10 anos. Houve também uma redução de 18 para 7 tipos de carimbos do Serviço de Inspeção Federal (SIF). A nova regulamentação também institui o conceito de fiscalização por risco sanitário e prevê análises e biologia molecular, como por exemplo, exame de DNA. Outra novidade é a regulamentação de aproveitamento de matérias primas e resíduos animais para elaboração de produtos não comestíveis.

Cada uma dessas novidades resultará em projetos a serem desenvolvidos tanto no setor privado como no setor público. Novos projetos de embalagens, novos processos produtivos e novos processos de auditagem e inspeção terão que ser desenvolvidos. Tudo isso criará muitas oportunidades para os profissionais de gerenciamento de projetos considerando que esses projetos serão obrigatórios e não há opção para as empresas em não desenvolver esses projetos. Segundo declaração do Presidente Temer, feita em março de 2017 na Câmara de Comércio Brasil Estados Unidos, o Brasil conta atualmente com 4.850 frigoríficos. Se multiplicarmos o número de frigoríficos e o número de produtos que precisam se adequar à nova legislação, fica claro que a demanda por gerenciamento de projetos na cadeia produtiva de carnes vai aumentar muito. Boa notícia para quem é profissional de gerenciamento de projetos e dos fornecedores de produtos e serviços relacionados com as demandas criadas pelas novas regulamentações.

Projeto de Lei 274/2016 é tema de grande preocupação na área de projetos públicos

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O projeto de lei do Senado Federal de número 274/2016 terá, se aprovado na integra, um grande impacto para os projetos que vierem a ser contratados pelos entes públicos no Brasil. O projeto de lei afeta em especial os grandes projetos de obras públicas. A motivação do projeto de lei, de autoria do Senador Cássio Cunha Lima, é uma tentativa legítima de conter a corrupção que hoje envolve as obras públicas. Mas a proposta é ingênua ao tentar passar para as seguradoras as responsabilidades que são inerentes ao Estado. Se essas as novas regras vierem a ser aprovadas, todas as empresas que executam projetos para o Poder Público, com valor igual ou acima de R$ 10 milhões deverão contratar um seguro garantia, também conhecido por performance bond, no valor de 100% do valor do projeto. Apesar de trazer na sua gênese a tentativa de evitar a corrupção, o projeto de leu cria mais problemas do que soluções. Veja só:

  1. A seguradora passará a ser, ao mesmo tempo uma gerenciadora e uma fiscalizadora de projetos, já que na prática, ela será a entidade responsável por garantir que o empreendimento seja entregue caso a contratada falhe. Por isso não basta apenas gerenciar a obra. Todo o projeto técnico terá que ser supervisionado pela seguradora. A grande dúvida é se empresas seguradoras terão a expertise necessária para avaliar os riscos totais dos projetos e, ao mesmo tempo, terem a capacidade de gerenciar e fiscalizar os mesmos. O mais provável é que as seguradoras nem queiram assumir um papel que não lhe cabe.
  2. Pela proposta, a seguradora terá a obrigação de assumir a execução da parcela restante do projeto em caso de falha da empresa originalmente contrata. Essa obrigação de execução da parcela restante poderá ser feita com quadro próprio de pessoal da seguradora ou através de terceiros. A seguradora poderá refazer a licitação com seus próprios critérios.
  3. A interveniência da seguradora no projeto vai, na prática, limitar o diálogo entre o Poder Público e a contratada. Embora isso possa minimizar a possibilidade de corrupção, tem também um grande inconveniente: a falta do diálogo entre contratante e contratado. É mais ou menos como se o leitor fosse reformar sua casa e não pudesse conversar livremente com os pedreiros ou com a empresa contratada. Projetos, como é amplamente sabido, podem ter mudanças que são necessárias e legitimas. Da forma proposta é certo que a seguradora vai negar qualquer mudança no projeto pois isso gera custos e riscos adicionais.
  4. Para as seguradoras, as novas regras aumentam sensivelmente o seu risco. O resultado óbvio é que os preços de seguro vão subir e apenas as grandes empresas serão capazes de fornecer as garantias, com óbvia diminuição do nível de concorrência, o que, por sua vez, também contribui para o aumento de preços dos projetos públicos. Mas, isso, também é polêmico, já que mesmo as empresas normalmente têm um portfólio de projetos maior do que a sua capacidade de fornecer garantias.
  5. Estima-se que o mercado segurador vai precisar elevar sua capacidade. O salto estimado é de cerca de quinze vezes (De R$ 1 Bilhão para R$ 15 bilhões), conforme fontes do Instituto de Engenharia de São Paulo. O setor de seguros terá fôlego para tudo isso?
  6. As empresas licitantes terão que focar nos limites de suas capacidades. Isso pode aumentar a qualidade, já que as empresas não vão se aventurar a fazer projetos para os quais não têm competência. Por outro lado, isso vai gerar menor concorrência, com aumento dos preços para o setor público e para a sociedade.
  7. A atual lei 8.666 criou uma irresponsabilidade institucional, que abre as portas para ineficiência e para a corrupção, na medida em que aquilo que está sendo licitado pode sofrer mudanças e qualquer empresas, mesmo que aquelas sem capacidades adequadas, pode entrar na concorrência. Com as novas regras, o Estado terá que fazer um planejamento estratégico de longo prazo e melhorar sua capacidade de propor novos projetos. Em princípio isso é bom. Mas existem sérias dúvidas sobre a capacidade do Estado de ter um planejamento estratégico de longo prazo com capacidade de melhorar a qualidade dos projetos propostos. É bastante comum no mercado o comentário de que os projetos básicos dos projetos no setor público, de um modo geral, apresentam baixa qualidade. E não existem indicações de que esse cenário possa mudar no curto prazo.
  8. O PL 274/2016 apresenta a bizarrice de supor que o projeto executivo estará pronto no momento da contratação. Ninguém é louco de segurar em 100% um projeto cujo detalhamento técnico ainda está por ser feito. Sendo assim, não há como precificar o risco de um projeto cujos detalhes não são conhecidos.
  9. O PL 274/2016 introduz mais caos no ambiente dos projetos públicos na medida em que faz com que as seguradoras tenham poder de veto. Seguradoras, como se sabe, são seres ariscos. Farão de tudo para minimizar seus riscos. Já pensou o tempo que uma seguradora levará para assegurar-se de que o projeto apresenta condições técnicas adequadas? As mudanças contratuais só serão possíveis mediante a anuência das seguradoras. A realidade nos mostra que é praticamente impossível fazer um grande projeto sem que haja aditivos contratuais. E esse poder de veto poderá, em algumas circunstâncias, ser contrário ao interesse público.
  10. O PL 274/2016 tira duas responsabilidades inerentes ao gestor público: a de fazer o projeto técnico bem feito e a de fiscalizar aquilo que foi contratado. Nesse novo cenário, a função pública de zelar pela boa gestão dos projetos do Estado brasileiro passa a ser assumida por entes privados, ou seja, as seguradoras. Em outras palavras: o Estado simplesmente lava suas mãos em relação à sua responsabilidade de gerir adequadamente os seus projetos.
  11. O PL 274/2016 legisla sobre um assunto cuja competência é da Susep, que é o órgão técnico responsável pelo controle e fiscalização dos mercados de seguro e resseguro e cuja missão é regular, supervisionar e fomentar os mercados de seguros e resseguros. Aparentemente a Susep não foi consultada quando da elaboração desse projeto de lei já que, sendo um órgão técnico, certamente tem condições de mostrar as incoerências dessa proposta.

A conclusão é que de existem dois cenários possíveis caso uma eventual implantação das regras oriundas do projeto de lei 274/2016 ocorra: ou as seguradoras simplesmente não vão aceitar os riscos ou, caso existam seguradoras que aceitem bancar o risco de 100% do valor dos projetos, haverá um aumento significativo dos custos dos projetos públicos, com o potencial de aumentar o caos no ambiente dos projetos públicos por conta do poder de veto das seguradoras. Como se vê, o potencial dessa lei virar letra morta ou de criar o caos é grande. A iniciativa do Senador Cássio Cunha Lima tem boas intenções. Mas, dizem por aí, que a estrada para o inferno está pavimentada de boas intenções.

Gestão de contratos evita dor de cabeça futura

O cuidado com os desequilíbrios econômicos e financeiros em contratos na área de construção e a consequente necessidade de gerir contratos, documentos e evidências dos desequilíbrios é o tema da reportagem de 28 de novembro de 2016, elaborada pela jornalista Hosana Pedroso que saiu na revista digital do site http://www.construcompras.com.br, voltado para a indústria da construção civil. A matéria em questão conta com a colaboração técnica da minha pessoa. O artigo traz informações importantes para aqueles que trabalham com a administração contratual de clientes e de subcontratados. Para acessar a reportagem, clique em Gestão de contratos evita dor de cabeça futura.

Conheça 8 tendências de gerenciamento de projetos relacionadas com a área de recursos humanos

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As modificações que o futuro vai trazer vão se refletir na área de recursos humanos que atuam em gerenciamento de projetos. Coloco abaixo oito tendências que considero importantes:

1 – Maior ênfase na liderança e em habilidades de comunicação, negociação e de influência

Saber se comunicar, negociar e influenciar stakeholders serão habilidades cada vez mais valorizadas e procuradas. As chamadas hard skills, que são as habilidades técnicas continuarão sendo importantes. Mas as soft skills, que são as habilidades de comunicação, negociação e de influência serão o grande diferencial. Passar num exame de certificação para provar que você entende de gerenciamento de projetos é uma coisa. Outra coisa muito diferente é ser capaz de liderar equipes e influenciar stakeholders chave para obter apoio ao projeto.

2 – Obter bons profissionais de gerenciamento de projetos será cada vez mais importante

A disputa por bons profissionais de gerenciamento de projetos tende a aumentar. O fato é que ter profissionais capazes de desenvolver os projetos certos da forma certa e na hora certa é elemento essencial de sobrevivências das empresas. Por isso sua empresa tem duas opções: ou tem um processo contínuo de formação de gestores de projeto ou vai ter que disputar os bons profissionais no mercado com as demais empresas.

3 – Certificações continuarão a dominar a cena. Mas não terão a mesma importância.

As certificações são importantes. Atestam que um determinado profissional tem um profundo conhecimento sobre uma certa área de conhecimento. Isso é bom. Mas daí a dizer que um profissional certificado será um excelente gestor de projeto vai uma certa distância. O que faz com que um profissional consiga gerenciar bem projetos e avançar na sua carreira é a sua capacidade de entregar o que lhe foi encomendado, de aprender com a experiência e, por último, mas não menos importante, ter atitudes adequadas que sejam admiradas pelas pessoas e pelas empresas. A certificação sempre será algo de muito valor, especialmente no momento de seleção do profissional para fins de contratação pela empresa. Mas, uma vez certificado, cabe ao profissional manter sua carreira em ascendência com base em valores sólidos, com atitudes éticas e assertivas e fazendo as entregas que lhe foram confiadas.

4 – O papel do patrocinador deverá ser cada vez mais importante

É bastante clara a importância do patrocinador de projeto. Ter um bom patrocinador pode ser a diferença entre ter um projeto com bons resultados ou com péssimos resultados. Cada vez mais as organizações devem perceber que o patrocinador também precisa ser qualificado. Não pode ser qualquer um. O patrocinador precisa ter tempo para se dedicar ao projeto e saber se comportar como patrocinador, trazendo não apenas os recursos financeiros para o projeto, mas também agindo de forma a proteger os objetivos do projeto. Uma tendência é a necessidade de treinamento formal de patrocinadores de projetos.

5 – Conhecimento de negócio

Não basta fazer os projetos de forma correta. É necessário fazer o projeto certo, na hora certa. Por isso é necessário entender como funciona o mundo dos negócios. O conhecimento de estratégias e dos modelos de negócios serão importantes para que as empresas saibam quais projetos devem fazer. O conhecimento de modelos de negócio permite que se conheça como alguma proposta de negócio, que vai ser um projeto a ser executado, vai funcionar na prática. Já a estratégia vai definir como o negócio gerado por um projeto vai se sustentar frente à concorrência.

6 – A área de Recursos humanos deve se qualificar para ser capaz de contratar bons profissionais de projetos

Atualmente, qualquer empresa minimamente bem organizada entende a importância do gerenciamento de projetos. Mas as áreas de recursos humanos ainda não têm competência para recrutar bons profissionais. E isso é fácil de entender. A área de recursos humanos, assim como qualquer outra área dentro da empresa, também tem necessidade de gerenciar seus projetos. Curiosamente as áreas de recursos humanos nas empresas são as que tem um dos mais baixos níveis de maturidade em gerenciamento de projetos. Existem exceções é lógico. Mas o que normalmente acontece é a área de recurso não usar adequadamente o gerenciamento de projetos como ferramenta.

7 – Terceirização da gestão de projetos

A velocidade com que as empresas necessitam se adaptar aumenta cada vez mais. Com isso é inevitável que a terceirização da gestão de projetos ocorra. Evidente que existem projetos nos quais não é possível terceirizar o gerenciamento. Mas existem projetos que nunca deveriam ser gerenciados com recursos internos que, muitas vezes, são escassos e que devem estar focados em atividades estrategicamente mais importantes.

8 – Governança corporativa mais forte

A governança corporativa veio para ficar. Não dá para confiar a gestão da empresa sem determinados balizamentos que limitam o que a diretoria executiva pode fazer. A sobrevivência a longo prazo das corporações é colocada em risco quando não há Governança Corporativa. A Petrobrás é um triste exemplo disso. Uma empresa com enorme potencial, mas que foi loteada politicamente pelo Governo Federal e que operou durante os anos recentes sem governança. Conclusão: a empresa só não quebrou ainda porque é do Governo Federal. Nas empresas privadas, comercializadas em bolsas de valores, a falta de governança é completamente inadmissível. Isso terá um reflexo nos projetos que as empresas vão desenvolver. Cada vez mais os projetos terão que ter melhores justificativas e os desvios serão cada vez menos tolerados. Isso exigirá mais dos profissionais responsáveis pelo gerenciamento dos projetos.

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